(fim!)
— Vamos logo que estou cansada de entrevistar pretendentes!
— Você já gostou de algum?
— Ainda não. Eu sou muito
exigente.
— Claro! Uma gata tão gatinha...
— Miau... Que jeito fofo de
falar comigo...
— Um jeito fofo de falar com uma
gata fofa...
— Miau... Como é o seu nome?
— Gostoso.
— O meu é Clarice Sushi...
— Que prazer!
— ...mas... miau... pode me
chamar de Clarice só...
— Então, Clarice, quer dizer que
você está querendo um namorado...
— Miau...
— O que você acha de eu entrar
na sua casa pra gente conversar mais à vontade?
— Miau...
— Clarice?
— Miau?
— Você não vai falar nada?
— Mi...
— Está com algum problema?
— Mi... Mi... Me desculpe,
Gostoso. É que... Você me deixa envergonhada...
— Estou acostumado...
— Co... Como assim?
— É assim com todas...
— Mi...
— Posso entrar?
— Ainda não.
— O que você quer dizer com
ainda?
— A gente mal se conhece...
— Miau... a gente já conversou
um bocado...
— Você é muito gatinho...
— Eu sei...
— O que gosta de fazer?
— Paquerar, miau!
— Paquerar?!
— É, oras.
— Mas se a gente casar, você vai
ter que parar...
— Parar o quê?
— De paquerar!
— Mas eu nunca vou me casar!
— Ah, não?
— Não, ué.
— Miau, então.
— O quê?
— Tchau.
— Ficou brava, gatinha?
— Não quero mais conversar.
— Não vai me chamar para entrar?
— Não.
— É sua última palavra?
— Sim!
— Quer dizer que mudou de ideia?
— Não!
— Escuta, Clarice, é sim ou não?
— Escuta, Gostoso, preciso fazer
outra coisa. Quer ir embora, por favor?
— Então tá. Mas eu volto em uns
dias.
— Pra quê?
— Pra ver se me deixa entrar.
— Eu não vou deixar.
— Eu não sei perder.
— Miau... O que eu posso fazer?
Prezado leitor,
Você não sabe como essas paqueras cansaram minha beleza majestática! Feliz é
Angélica, que ainda não pensa
nessas coisas... Agora mesmo está atrás do sofá, recebendo a visita dos
irmãos alfinetes. Na semana que vem, vou te contar a história deles!
Atenciosamente,
Clarice Sushi







